Raposa Serra do Sol

Raposa Serra do Sol
Terras de Makunaima

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Comunidade Kaiowá Guarani sofre massacre na manhã desta sexta-feira (18)

http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=5953&action=read

Inserido por: Administrador em 18/11/2011.
Fonte da notícia: Cimi - Assessoria de Imprensa

Renato Santana
De Brasília




No início da manhã desta sexta-feira (18), por volta das 6h30, a
comunidade Kaiowá Guarani do acampamento Tekoha Guaviry, município de
Amambaí, Mato Grosso do Sul, sofreu ataque de 42 pistoleiros fortemente
armados.

O massacre teve como alvo o cacique Nísio Gomes, 59 anos, (centro da
foto) executado com tiros de calibre 12. Depois de morto, o corpo do
indígena foi levado pelos pistoleiros – prática vista em outros
massacres cometidos contra os Kaiowá Guarani no MS.

As informações são preliminares e transmitidas por integrantes da
comunidade – em estado de choque. Devido ao nervosismo, não se sabe se
além de Nísio outros indígenas foram mortos. Os relatos dão conta de que
os pistoleiros sequestraram mais dois jovens e uma criança; por outro
lado, apontam também para o assassinato de uma mulher e uma criança.

“Estavam todos de máscaras, com jaquetas escuras. Chegaram ao
acampamento e pediram para todos irem para o chão. Portavam armas
calibre 12”, disse um indígena da comunidade que presenciou o ataque e
terá sua identidade preservada por motivos de segurança.

Conforme relato do indígena, o cacique foi executado com tiros na
cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. “Chegaram para matar nosso
cacique”, afirmou. O filho de Nísio tentou impedir o assassinato do pai,
segundo o indígena, e se atirou sobre um dos pistoleiros. Bateram no
rapaz, mas ele não desistiu. Só o pararam com um tiro de borracha no peito.

Na frente do filho, executaram o pai. Cerca de dez indígenas
permaneceram no acampamento. O restante fugiu para o mato e só se sabe
de um rapaz ferido pelos tiros de borracha – disparados contra quem
resistiu e contra quem estava atirado ao chão por ordem dos pistoleiros.
Este não é o primeiro ataque sofrido pela comunidade, composta por cerca
de 60 Kaiowá Guarani.

Decisão é de permanecer

Desde o dia 1º deste mês os indígenas ocupam um pedaço de terra entre as
fazendas Chimarrão, Querência Nativa e Ouro Verde – instaladas em
Território Indígena de ocupação tradicional dos Kaiowá.

A ação dos pistoleiros foi respaldada por cerca de uma dezena de
caminhonetes – marcas Hilux e S-10 nas cores preta, vermelha e verde. Na
caçamba de uma delas o corpo do cacique Nísio foi levado, bem como os
outros sequestrados, estejam mortos ou vivos.

“O povo continua no acampamento, nós vamos morrer tudo aqui mesmo. Não
vamos sair do nosso tekoha”, afirmou o indígena. Ele disse ainda que a
comunidade deseja enterrar o cacique na terra pela qual a liderança
lutou a vida inteira. “Ele está morto. Não é possível que tenha
sobrevivido com tiros na cabeça e por todo o corpo”, lamentou.

A comunidade vivia na beira de uma Rodovia Estadual antes da ocupação do
pedaço de terra no tekoha Kaiowá. O acampamento atacado fica na estrada
entre os municípios de Amambaí e Ponta Porã, perto da fronteira entre
Brasil e Paraguai.

Polícia Federal investiga desaparecimento de líder indígena no MS

Celso Bejarano
Do UOL Notícias, em Campo Grande
19/11/2011 - 18h10


Policiais federais não encontraram o cacique Nísio Gomes, 59, que teria sido baleado ontem (18) de manhã num acampamento construído no início de novembro aos arredores de Amambai e Aral Moreira, cidades de Mato Grosso do Sul (450 km de Campo Grande), na fronteira com o Paraguai. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ao menos 40 homens que ocupavam caminhonetes atacaram a comunidade guarani-caiová, que briga na justiça por terra na região.

O filho de Gomes, Valmir, disse à Polícia Federal que o líder indígena foi morto com tiros de espingarda calibre 12, arrastado até uma caminhonete e o corpo teria sido levado dali. Ainda segundo Valmir, que diz ter sido ferido com balas de borracha, o pistoleiro falava com sotaque paraguaio.

A Polícia Federal esteve no local, mas até agora não comunicou oficialmente a morte do líder indígena. No acampamento conhecido como tekoha guaiviry vivem ao menos 60 índios, sendo que 40 deles ainda não foram localizados até este sábado.

Valmir disse que por volta das 6 horas da manhã, o acampamento foi cercado por cerca de 40 homens com armadas com balas de borracha. Durante o ataque, os índios, entre os quais velhos e crianças, correram para a mata.

Ainda segundo o filho do cacique, os supostos pistoleiros levaram consigo além do cacique, três índios, uma adolescente, um adolescente de 12 anos e uma criança de cinco. Os donos da área de onde sumiu o cacique ainda não se manifestaram.

Em nota, o Ministério Público Federal afirma que apura o caso desde ontem.

O Mato Grosso do Sul possui a segunda maior população indígena do país, com 70 mil índios. A Federação dos Agricultores de MS (Famasul) afirma que hoje ao menos 49 áreas do estado são disputadas judicialmente entre índios e fazendeiros.

Dois anos atrás, em outubro de 2009, em Paranhos (MS), também na fronteira com o Paraguai, um grupo de índios que ocupavam uma fazenda disputada na justiça sofreu um ataque de pistoleiro, segundo eles. Um índio foi morto e outro desapareceu.

Ataque a indígenas em Mato Grosso do Sul é tragédia anunciada, diz membro de Conselho dos Direitos da Pessoa Humana

Luciana Lima
Da Agência Brasil, em Brasília
9/11/2011 - 18h12


O ataque ao acampamento indígena Tekoha Guaiviry, ocorrido ontem (18) em Mato Grosso do Sul, é tragédia anunciada, disse hoje (19) o vice-presidente do Conselho dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), Percílio de Souza Lima Neto. De acordo com o conselheiro, há muito tempo a região é palco de conflitos entre os interesses dos índios e das empresas de agronegócio.

"Toda violência contra comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul já estava anunciada há longo tempo. Nós já constatamos que não há espaço para os interesses indígenas, e há uma crescente discriminação contra os integrantes dessa comunidade", disse. Ele apontou a especulação pelas terras como principal motivo dos conflitos. O ataque pode ter levado à morte o líder dos Guarani Kaiowá, cacique Nísio Gomes, de 54 anos de idade, que, de acordo com relato dos índios, foi baleado e o corpo levado pelos pistoleiros.

O cacique ainda não foi encontrado, segundo o Ministério Público Federal (MPF), que confirmou o desaparecimento do chefe indígena. Há informações de que dois índios - uma mulher e um criança de 5 anos - também foram levados pelos pistoleiros. Os indígenas disseram que cerca de 40 homens encapuzados e armados invadiram o acampamento localizado entre Amambaí e Ponta Porã.

A Polícia Federal começou ontem a investigar o caso a pedido do MPF. Representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) também acompanham as investigações.

Cerca de 60 índios moravam no acampamento, mas, de acordo com a polícia, somente dez estavam no local para dar informações. Assutados com a violência, muitos buscaram proteção na mata. Ontem, os policiais encontraram sangue humano no local indicado pelos índios onde o cacique teria foi baleado. Amostras do sangue foram recolhidas para análise pericial.

A área ocupada pelos Guarani Kaiowá faz parte da região denominada Terra Indígena Amambaipeguá. O processo de demarcação da área começou em junho de 2008 e, desde então, foi interrompido diversas vezes por decisões judiciais, em ações movidas por produtores rurais da região e forças políticas municipais e estaduais.
De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), nos últimos oito anos, cerca de 200 índios foram mortos em conflitos de terra. A assessoria do conselho informou que os indígenas ocuparam o trecho da terra que está em processo de demarcação no início deste mês.

Uol notícias

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

RETOMADA, LUTA CONTRA O LATIFÚDIO E CONTRA O GOVERNO

“Nossas memórias são longas o

suficiente para lembrar quais

Terras nos pertence”.

Alex Makuxi - Raposa Serra do Sol



Como em um trailer de um filme em nossas mentes corre a lembrança do massacre, da perseguição, da escravidão, e da resistência. Essas lembranças ricas correm de povo em povo, de aldeia em aldeia. São mais de 500 anos de luta, de opressão de mentiras e enganos, de trapaças e de esperança. Mais como dizem a esperança é a última que morre, e só morre quando nós morrermos juntos. Precisamos todos os dias acordar e lembrar de Galdino Pataxó Hã Hã Hãe, de Chicão Xucuru, Marshall Tupã, Aldo Mota Macuxi e muitas outras lideranças que morreram em busca de melhorias para o nosso povo.

Falar em direito é falar em um vácuo que é oficializado por muitas instituições governamentais. De que serviu a constituição de 1988? Apenas para lembrar nos artigos 231 e 232 que “são reconhecidos a nós, nossa organização social, nossos costumes, nossas línguas, nossas crenças e nossas tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam. Só pra isso? Nossas Terras já estão demarcadas? Nossa organização é reconhecida? Por quem? Pela (in)justiça que criminalizam nosso movimento?, que prende nossas lideranças, que nos acusam de formação de quadrilha?.

Segundo a mesma lei que rege em nosso país: “Artigo 231 § São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé”. Se são nulo por que até hoje ainda nossas Terras tradicionalmente ocupada está infestada de fazendas, e pessoas de má fé, que utiliza inclusive de armas de fogo para intimidar os povos tradicionais, como também de mandatos políticos para se beneficiar de Terras.

O que explica a situação dos Povos que são expulsos de suas Terras? como por Exemplo no Mato Grosso do sul, Bahia e em outros Estados que de acordo com o § 5º do artigo 231 da Constituição Brasileira- “É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, ad referendum do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco”. Risco nós corremos é se não retirá-los de imediato os posseiros de nossas Terras, se o governo não tomar uma atitude cabível e imediata para solucionar esse problema, onde os coronéis usam de poderes e expulsam índios de suas Terras e se se legitimam donos, e que consegue se manter nessa ilegalidade.

Se não olharmos com clareza a devastação que o agronegócio vem fazendo nas Terras indígenas seremos capazes de acreditar no “progresso”, que na verdade isso é apenas uma ilusão de ótica, quando na verdade o verdadeiro nome disso tudo é “regresso”,”destruição”, “poluição” e outros nomes que só ferem o bem-estar das sociedades indígenas.

MANIFESTO DA BANCADA INDÍGENA DA COMISSÃO NACIONAL DE POLÍTICA INDIGENISTA – CNPI

Publicado no portal indios on line: http://www.indiosonline.net/manifesto-da-bancada-indigena-da-comissao-nacional-de-politica-indigenista-–-cnpi/

Acesse e comente:

SUSPENDEMOS A NOSSA PARTICIPAÇÃO ATÉ O GOVERNO DILMA ATENDER AS NOSSAS DEMANDAS

Nós, representantes indígenas na Comissão Nacional de Política Indigenista – CNPI, em protesto contra a omissão, o descaso e a morosidade do Governo da Presidente Dilma Roussef em garantir a proteção dos direitos dos nossos povos, suspendemos nesta data de início da 17ª. Reunião Ordinária a nossa participação na Comissão em razão dos seguintes acontecimentos:

1º. – Resoluções das quais participamos raramente foram encaminhadas, tornando-se sem efeito e resultado concreto.

2º. Outras decisões de governo, como a reestruturação da Funai, foram encaminhadas sem o nosso consentimento, no entanto fomos acusados de ter sido co-responsáveis na sua aprovação e encaminhamento.

3º. Contrariando a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, que em seu artigo 6º estabelece que os governos deverão “consultar os povos interessados, mediante procedimentos apropriados e particularmente, por meio de suas instituições representativas, sempre que se tenha em vista medidas legislativas ou administrativas capazes de afetá-los diretamente”, e contrariando o próprio Decreto de criação da CNPI, o governo tem adotado medidas de flagrante violação aos nossos direitos.

O governo está determinado a construir empreendimentos que impactam ou impactarão direta ou indiretamente as nossas terras, o meio ambiente, a vida e cultura dos nossos povos, como a hidrelétrica de Belo Monte.

Nos últimos dias fomos surpreendidos por mais um ato antiindígena do Poder Executivo que publicou sem ter ouvido os nossos povos e organizações a Portaria Conjunta n° 951 de 19 de maio de 2011 que cria um grupo de estudo interministerial para elaborar ato que discipline a participação dos entes federados nos procedimentos de identificação e delimitação das terras indígenas.

Questionamos a finalidade proposta pela referida portaria cuja justificativa é atribuída à aplicação da “Condicionante nº 17 da decisão do Supremo Tribunal Federal na PET 3388”, referente à Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Não podemos entender a pressa do Governo brasileiro em se antecipar à conclusão do julgamento, sendo que o Supremo Tribunal Federal não concluiu este processo, a não ser para atender aos interesses de alguns governos estaduais, grupos econômicos e oligarquias políticas regionais declaradamente contrárias aos direitos dos povos indígenas.

Como representantes dos nossos povos na Comissão Nacional de Política Indigenista queremos tornar pública a nossa posição contrária a esta Portaria, razão pela qual exigimos a sua imediata revogação

4º. Enquanto espaço privilegiado de diálogo e interlocução com o governo para definir as políticas de interesse dos nossos povos a CNPI teve feitos importantes como as consultas regionais sobre as propostas para o novo Estatuto dos Povos Indígenas, a elaboração do Projeto de Lei do Conselho Nacional de Política Indigenista e a construção da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas (PNGATI). Porém, essas ações se tornaram até o momento sem efeito, uma vez que o governo não cumpre o compromisso de viabilizar a tramitação, aprovação e implementação desses instrumentos.

5º. A implementação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e a autonomia política, financeira e administrativa dos Distritos Sanitários Especiais Indíegnas (DSEIs) não está acontecendo.

6º. A reestruturação da FUNAI não sai do papel e os problemas nas comunidades continuam se agravando. As coordenações regionais e coordenações técnicas locais não estão funcionando, e o órgão indigenista paralizou as suas ações, notadamente a demarcação das terras indígenas, os processos de desintrusão e se comporta conivente do processo de criminalização de lideranças e comunidades indígenas.

7º. A educação escolar indígena diferenciada, direito conquistado na Constituição Federal e em Legislação específica, está sendo desrespeitada. O Ministério de Educação até o momento não implementou as decisões tomadas na Conferência Nacional de Educação Indígena e nem estruturou o setor correspondente para o cumprimento destas ações.

8º. A nossa participação na CNPI tornou-se sem sentido. Só voltaremos a esta Comissão quando a Presidente Dilma Roussef e seus ministros envolvidos com a questão indígena compareçam a esta instância dispostos a estabelecer um agenda de trabalho e metas concretas, explicitando qual é a política indigenista que irá adotar para o atendimento das demandas e reivindicações que reiteradamente temos apresentado ao governo neste âmbito ou por intermédio dos nossos povos e organizações representativas como aconteceu no último Acampamento Terra Livre realizado em Brasília no período de 02 a 05 de maio de 2011.

9º. Reiteramos o nosso repúdio à forma autoritária e a morosidade com que o governo Dilma está tratando os nossos direitos e reivindicamos respeito a nossa condição de cidadãos brasileiros e representantes de povos étnica e culturalmente diferenciados, com direitos assegurados pela Constituição Federal e por tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. Como o fizemos até agora, manifestamos a nossa disposição de continuar lutando e contribuindo na construção das políticas voltadas nós, desde que estas atendam os reais interesses e aspirações dos nossos povos e comunidades.

Brasília – DF, 17 de junho de 2011.

Assina: Bancada indígena da CNPI




terça-feira, 17 de maio de 2011

Negado afastamento do país para Participação Indígena na ONU

Caros Amigos,está matéria é um e-mail que recebir e autorizado pela autora para postar no site da rede, para que todos tomem o conhecimento que os orgão que “nos representa” também representa um orgão maior: O interesse os ESTADO. E não os interesses dos POVOS INDÍGENAS.!

Alex Makuxi

Por: Azelene Kaingáng

A direção da FUNAI não autorizou meu afastamento do país para participar do Fórum permanente da ONU, mais uma vez quero dizer que durante mais de dez anos em que participo dos fóruns internacionais de defesa dos direitos indígenas, nunca me foi negado o direito de afastamento do País para participar dos fóruns internacionais em defesa dos direitos indígenas, e fiquei surpresa e indignada com esta decisão da direção da FUNAI que, infelizmente me comunicou tal decisão quando já não havia mais tempo para providenciar e pensar em outra forma de participar (12/05/2010), porque minhas passagens estavam marcadas para o dia 13/05 e 14/05, ou seja, viajaria hoje (sexta-feira).

Ainda assim tentei argumentar com a direção mas foi em vão, porque o que está em jogo não é minha simples participação no FP, mas está prevista a minha participação em dois eventos paralelos nas Nações Unidas, onde eu falaria da questão da violação do direito a consulta pelo Estado Brasileiro na questão de Belo Monte, a decisão da CIDH sobre o tema e a reação do estado Brasileiro à posição da Comissão interamericana de Direitos Humanos.

Minha participação é sem ônus para os cofres públicos, embora eu seja funcionária pública há 24 anos, questão que nunca me impediu de participar de fóruns nacionais e internacionais em defesa dos direitos humanos dos Povos Indígenas do Brasil, das Américas (Declaração Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas) e do mundo (Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas), e solidificar uma história de lutas constantes, uma história que me rendeu respeito e prêmios de Direitos Humanos, história que me ensinou a não me calar diante das violações e dos absurdos cometidos pelo estado brasileiro e suas instituições contra os Povos Indigenas, enfim de não perder a capacidade de me indignar, como o faço neste momento, diante de uma ditadura silenciosa que se instalou no Brasil contra os Povos Indígenas e seus direitos.

Graças a este histórico nunca precisei fazer viajem internacional as custas do dinheiro público, porque minha história, minha luta e minhas convicções me permitiram conquistar a confiança de pessoas e instituições internacionais que fazem questão de financiar minha participação nos fóruns internacionais, mas ainda assim o Governo negou-me o direito de participar do Fórum permanente da ONU sobre Questões Indígenas, sob o argumento de que não havia interesse da instituição na minha participação.

Passo esta mensagem para Vocês que sempre acreditaram e apoiaram meu trabalho e minha luta, por sentir que devo uma satisfação pela minha ausência no Fórum das Nações Unidas e para agradecer mais uma vez a compreensão de todos e claro afirmar que ações como essa fortalecem ainda mais a minha vontade de lutar e não desanimar diante dos percalços e das pedras no caminho…e o que mais me conforta…nada é para sempre!

Com Saudações Kaingáng

Azelene Kaingáng

Em Roraima uma Nova Campanha “Volta Raposa”

Para quem vem para Boa Vista/RR, ou até mesmo para quem mora aqui é quase ineviltavel ver um ou mais outidoos nas rotatórias e avenidas, neles está escrito: ” II Aniversário Retirada Raposa Serra do Sol”, em baixo dessa frase que está em letras bem grandes diz, Apoio: Dep Paulo Cesar, Famerr, e outros nomes que não me recordo.
Em uma entrevista a um Jornal Local, o Fazendeiro Ailton Cabral foi entrevistado no Programa Agenda da Semana, e segundo ele está sendo criado um movimento “Volta Raposa” que seria uma organização de todos que saíram da raposa Serra do Sol e não tem onde ficar.
Bem, nada contra eles estarem na Justiça em busca de um Local, só que voltar pra Raposa, aí o Fazendeiro Viajou em suas idéias. Primeiro a Terra já está Demarcada, Homologada e Regitrada, e é de uso exclusivo dos Povos Indígenas.
Por outro lado, esse movimento não teria o apoio que teve em sua retirada da Terra Indígena. As organização hoje já estão mais fortalecidas e tem uma nova visão, até mesmo a organizações que teriam apoiado eles agora mudam seus discursos. Os Locais onde antes eram Fazendas, hoje são Comunidades Indígenas, retiro e outros meios de usufruto dos Povos Indígenas.
Agora o que esse movimento deve fazer, é construir um novo movimento, para buscar soluções pra eles, já que segundo eles não receberam esse lugar. Tem que cobrar é do Governo Federal, e não ficar fazendo Movimentos sem cabimentos e inconstitucionais.

OBS: Assim que eu puder coloco a foto do outdoors


Publicado na rede indios on line.


Alex Makuxi - Raposa Serra do Sol

quarta-feira, 2 de março de 2011

CARTA ABERTA DA TURMA GH1, INSTITUTO INSIKIRAN “UNIÃO DOS POVOS INDÍGENAS CONTRA O TRÁFICO DE SERES HUMANOS EM RORAIMA”


Nós alunos do curso de Licenciatura Intercultural do Instituto Insikiran – UFRR, turma GH1, pertencentes aos povos Macuxi, Wapichana e Ingaricó, entendemos que o tráfico humano é uma questão grave, que tem acontecido em Roraima, sob nossos olhos, aliciando meninas indígenas que são traficadas e barbaramente exploradas sexualmente. Os aliciadores conquistam a confiança das famílias fazendo-se passar por pessoas generosas, boazinhas, oferecendo-lhes carona, empregos lucrativos que envolvem viagens. As ofertas de trabalho geralmente são em Manaus, Guiana, Venezuela ou Suriname.
Por isso, nos organizamos e pensamos que para enfrentar o tráfico de pessoas é necessário, sobretudo, ousadia e mostrar que existe uma sociedade organizada capaz de proteger suas crianças, adolescentes e mulheres contra a exploração e expropriação de sua dignidade humana.
Não podemos nos omitir diante dos levantamentos que apontam Roraima como rota internacional do Tráfico, onde a população indígena aparece com maior vulnerabilidade! Somos educadores e iremos agir fazendo diversas atividades para mobilizar as populações indígenas para essa realidade.
Antes da chegada dos não índios, nós podíamos desfrutar de nossas riquezas naturais e das belezas aqui existentes, sem que tivéssemos que nos preocupar com a exploração e o trafico de pessoas. Hoje, os aliciadores usam os sonhos de falsa riqueza, as ilusões criadas pela população não indígena e fortalecida pela televisão de que uma vida feliz é uma vida com muito dinheiro, longe da família e de sua Terra Mãe. Com simpatia, seduzem as pessoas e as levam para longe onde desaparecem… Eles aprisionam as pessoas, roubam seus documentos e as escravizam de maneira desumana.
Já lutamos e conquistamos nossa Terra Mãe Livre! Agora lutaremos por nossas crianças, jovens e mulheres que são o nosso futuro. Para isso, escrevemos essa carta que propõe que lideranças, escolas, comunidades saibam o perigo que o tráfico de pessoas representa e se organizem, denunciem e protejam seus jovens.
Solicitamos das autoridades maior atenção aos dados de Tráfico de pessoas em Roraima e à Secretaria de Estado de Educação de Roraima a inclusão dessa temática como meta prioritária no Plano Estadual de Educação.



Publicado a pedido de membros da turma GH1, da Licenciatura Intercultural Indígena do INstituto Insikiran - UFRR

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

COIAB ENVIA CARTA DE APOIO AO POVO TUPINAMBÁ

Carta de apoio ao povo Tupinambá

A COIAB vem manifestar seu apoio ao povo Tupinambá que historicamente tem sido alvo de perseguição, com a prisão de suas lideranças que lutam pela retomada de seus territórios tradicionais.

A criminalização de lideranças indígenas tem se tornado uma prática constante ao longo dos tempos. Trata-se de uma resposta dos grandes empresários, latifundiários e políticos que são contra a demarcação das terras indígenas.

A COIAB se mostra contra essas práticas de perseguição e insiste que as autoridades competentes apurem as denúncias de tortura cometidas contra as lideranças indígenas e que os culpados sejam penalizados.

Durante o mandato do presidente Lula foram mais de 400 lideranças indígenas assassinadas.

Junto com o povo Tupinambá, exigimos a libertação da cacique Maria Valdelice de Jesus, a Jamapoty, liderança da Aldeia Itapoã que foi presa arbitrariamente no último dia 03, acusada de invasão de terras, quando na verdade o povo Tupinambá segue firme na luta pelo reconhecimento de seu território tradicional.

Saudações Indígenas,

Marcos Apurinã

Coordenador geral da COIAB

Sonia Guajajara

Vice-coordenadora da COIAB



SITE: http://www.coiab.com.br/coiab.php?dest=show&back=index&id=687&tipo=N

COIAB ENVIA CARTA DE APOIO AO POVO GURANI KAIOWÁ

Carta de apoio ao povo Guarani Kaiowá

A COIAB vem por meio desta, declarar seu apoio aos parentes Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, que sofrem a injustiça de não terem seus territórios garantidos, estando sujeitos a todo tipo de humilhação.

É com muito pesar que acompanhamos a história de sofrimento e resistência desse povo guerreiro, vivendo em acampamentos na beira das rodovias, convivendo com as estradas que oferecem muito perigo e pouca ajuda. No estado onde vivem mais de 50 mil indígenas, é um absurdo não haver terra para esse povo.

A problemática da terra para os povos indígenas é reforçada pelo descaso dos governos. Durante a gestão Lula somente 88 terras indígenas foram homologadas, uma grande traição para aqueles que acreditavam em sua história de luta vindo do movimento sindical.

Os parentes Guarani Kaiowá não têm aonde plantar, por isso vivem de doações. Entretanto, as cestas básicas não são suficientes, como também não é suficiente a atenção do órgão indigenista oficial. Sentimos nojo da inoperância da FUNAI.

Repudiamos a lerdeza com que o Governo Federal trata as questões referentes à identificação, demarcação e homologação das terras Guarani Kaiowá.

Repudiamos as usinas de etanol que se espalham como pragas junto aos campos agrícolas semeados com soja e cana-de-açúcar para alimentarem a fome do capitalismo.

É preciso investigar o assassinato das lideranças do Povo Guarani Kaiowá. Esses crimes não podem ficar impunes. Os fazendeiros e seus jagunços devem ser responsabilizados.

Parentes, um índio sem a sua terra é como um pássaro sem o céu.

Sofremos com a tristeza de seu povo.

Ela também é a nossa tristeza.

Sonhamos o mesmo sonho que vocês. Sonhamos a nossa Terra Mãe livre das ameaças, da maldição do agronegócio e dos grandes projetos. Essa é a reza que os povos da Amazônia fazem.

Estamos todos unidos.

Saudações Indígenas,

COORDENAÇÃO DA COIAB


SITE: http://www.coiab.com.br/coiab.php?dest=show&back=index&id=686&tipo=N