Raposa Serra do Sol

Raposa Serra do Sol
Terras de Makunaima

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

MANIFESTO DA BANCADA INDÍGENA DA COMISSÃO NACIONAL DE POLÍTICA INDIGENISTA – CNPI

Publicado no portal indios on line: http://www.indiosonline.net/manifesto-da-bancada-indigena-da-comissao-nacional-de-politica-indigenista-–-cnpi/

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SUSPENDEMOS A NOSSA PARTICIPAÇÃO ATÉ O GOVERNO DILMA ATENDER AS NOSSAS DEMANDAS

Nós, representantes indígenas na Comissão Nacional de Política Indigenista – CNPI, em protesto contra a omissão, o descaso e a morosidade do Governo da Presidente Dilma Roussef em garantir a proteção dos direitos dos nossos povos, suspendemos nesta data de início da 17ª. Reunião Ordinária a nossa participação na Comissão em razão dos seguintes acontecimentos:

1º. – Resoluções das quais participamos raramente foram encaminhadas, tornando-se sem efeito e resultado concreto.

2º. Outras decisões de governo, como a reestruturação da Funai, foram encaminhadas sem o nosso consentimento, no entanto fomos acusados de ter sido co-responsáveis na sua aprovação e encaminhamento.

3º. Contrariando a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, que em seu artigo 6º estabelece que os governos deverão “consultar os povos interessados, mediante procedimentos apropriados e particularmente, por meio de suas instituições representativas, sempre que se tenha em vista medidas legislativas ou administrativas capazes de afetá-los diretamente”, e contrariando o próprio Decreto de criação da CNPI, o governo tem adotado medidas de flagrante violação aos nossos direitos.

O governo está determinado a construir empreendimentos que impactam ou impactarão direta ou indiretamente as nossas terras, o meio ambiente, a vida e cultura dos nossos povos, como a hidrelétrica de Belo Monte.

Nos últimos dias fomos surpreendidos por mais um ato antiindígena do Poder Executivo que publicou sem ter ouvido os nossos povos e organizações a Portaria Conjunta n° 951 de 19 de maio de 2011 que cria um grupo de estudo interministerial para elaborar ato que discipline a participação dos entes federados nos procedimentos de identificação e delimitação das terras indígenas.

Questionamos a finalidade proposta pela referida portaria cuja justificativa é atribuída à aplicação da “Condicionante nº 17 da decisão do Supremo Tribunal Federal na PET 3388”, referente à Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Não podemos entender a pressa do Governo brasileiro em se antecipar à conclusão do julgamento, sendo que o Supremo Tribunal Federal não concluiu este processo, a não ser para atender aos interesses de alguns governos estaduais, grupos econômicos e oligarquias políticas regionais declaradamente contrárias aos direitos dos povos indígenas.

Como representantes dos nossos povos na Comissão Nacional de Política Indigenista queremos tornar pública a nossa posição contrária a esta Portaria, razão pela qual exigimos a sua imediata revogação

4º. Enquanto espaço privilegiado de diálogo e interlocução com o governo para definir as políticas de interesse dos nossos povos a CNPI teve feitos importantes como as consultas regionais sobre as propostas para o novo Estatuto dos Povos Indígenas, a elaboração do Projeto de Lei do Conselho Nacional de Política Indigenista e a construção da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas (PNGATI). Porém, essas ações se tornaram até o momento sem efeito, uma vez que o governo não cumpre o compromisso de viabilizar a tramitação, aprovação e implementação desses instrumentos.

5º. A implementação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e a autonomia política, financeira e administrativa dos Distritos Sanitários Especiais Indíegnas (DSEIs) não está acontecendo.

6º. A reestruturação da FUNAI não sai do papel e os problemas nas comunidades continuam se agravando. As coordenações regionais e coordenações técnicas locais não estão funcionando, e o órgão indigenista paralizou as suas ações, notadamente a demarcação das terras indígenas, os processos de desintrusão e se comporta conivente do processo de criminalização de lideranças e comunidades indígenas.

7º. A educação escolar indígena diferenciada, direito conquistado na Constituição Federal e em Legislação específica, está sendo desrespeitada. O Ministério de Educação até o momento não implementou as decisões tomadas na Conferência Nacional de Educação Indígena e nem estruturou o setor correspondente para o cumprimento destas ações.

8º. A nossa participação na CNPI tornou-se sem sentido. Só voltaremos a esta Comissão quando a Presidente Dilma Roussef e seus ministros envolvidos com a questão indígena compareçam a esta instância dispostos a estabelecer um agenda de trabalho e metas concretas, explicitando qual é a política indigenista que irá adotar para o atendimento das demandas e reivindicações que reiteradamente temos apresentado ao governo neste âmbito ou por intermédio dos nossos povos e organizações representativas como aconteceu no último Acampamento Terra Livre realizado em Brasília no período de 02 a 05 de maio de 2011.

9º. Reiteramos o nosso repúdio à forma autoritária e a morosidade com que o governo Dilma está tratando os nossos direitos e reivindicamos respeito a nossa condição de cidadãos brasileiros e representantes de povos étnica e culturalmente diferenciados, com direitos assegurados pela Constituição Federal e por tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. Como o fizemos até agora, manifestamos a nossa disposição de continuar lutando e contribuindo na construção das políticas voltadas nós, desde que estas atendam os reais interesses e aspirações dos nossos povos e comunidades.

Brasília – DF, 17 de junho de 2011.

Assina: Bancada indígena da CNPI




terça-feira, 17 de maio de 2011

Negado afastamento do país para Participação Indígena na ONU

Caros Amigos,está matéria é um e-mail que recebir e autorizado pela autora para postar no site da rede, para que todos tomem o conhecimento que os orgão que “nos representa” também representa um orgão maior: O interesse os ESTADO. E não os interesses dos POVOS INDÍGENAS.!

Alex Makuxi

Por: Azelene Kaingáng

A direção da FUNAI não autorizou meu afastamento do país para participar do Fórum permanente da ONU, mais uma vez quero dizer que durante mais de dez anos em que participo dos fóruns internacionais de defesa dos direitos indígenas, nunca me foi negado o direito de afastamento do País para participar dos fóruns internacionais em defesa dos direitos indígenas, e fiquei surpresa e indignada com esta decisão da direção da FUNAI que, infelizmente me comunicou tal decisão quando já não havia mais tempo para providenciar e pensar em outra forma de participar (12/05/2010), porque minhas passagens estavam marcadas para o dia 13/05 e 14/05, ou seja, viajaria hoje (sexta-feira).

Ainda assim tentei argumentar com a direção mas foi em vão, porque o que está em jogo não é minha simples participação no FP, mas está prevista a minha participação em dois eventos paralelos nas Nações Unidas, onde eu falaria da questão da violação do direito a consulta pelo Estado Brasileiro na questão de Belo Monte, a decisão da CIDH sobre o tema e a reação do estado Brasileiro à posição da Comissão interamericana de Direitos Humanos.

Minha participação é sem ônus para os cofres públicos, embora eu seja funcionária pública há 24 anos, questão que nunca me impediu de participar de fóruns nacionais e internacionais em defesa dos direitos humanos dos Povos Indígenas do Brasil, das Américas (Declaração Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas) e do mundo (Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas), e solidificar uma história de lutas constantes, uma história que me rendeu respeito e prêmios de Direitos Humanos, história que me ensinou a não me calar diante das violações e dos absurdos cometidos pelo estado brasileiro e suas instituições contra os Povos Indigenas, enfim de não perder a capacidade de me indignar, como o faço neste momento, diante de uma ditadura silenciosa que se instalou no Brasil contra os Povos Indígenas e seus direitos.

Graças a este histórico nunca precisei fazer viajem internacional as custas do dinheiro público, porque minha história, minha luta e minhas convicções me permitiram conquistar a confiança de pessoas e instituições internacionais que fazem questão de financiar minha participação nos fóruns internacionais, mas ainda assim o Governo negou-me o direito de participar do Fórum permanente da ONU sobre Questões Indígenas, sob o argumento de que não havia interesse da instituição na minha participação.

Passo esta mensagem para Vocês que sempre acreditaram e apoiaram meu trabalho e minha luta, por sentir que devo uma satisfação pela minha ausência no Fórum das Nações Unidas e para agradecer mais uma vez a compreensão de todos e claro afirmar que ações como essa fortalecem ainda mais a minha vontade de lutar e não desanimar diante dos percalços e das pedras no caminho…e o que mais me conforta…nada é para sempre!

Com Saudações Kaingáng

Azelene Kaingáng

Em Roraima uma Nova Campanha “Volta Raposa”

Para quem vem para Boa Vista/RR, ou até mesmo para quem mora aqui é quase ineviltavel ver um ou mais outidoos nas rotatórias e avenidas, neles está escrito: ” II Aniversário Retirada Raposa Serra do Sol”, em baixo dessa frase que está em letras bem grandes diz, Apoio: Dep Paulo Cesar, Famerr, e outros nomes que não me recordo.
Em uma entrevista a um Jornal Local, o Fazendeiro Ailton Cabral foi entrevistado no Programa Agenda da Semana, e segundo ele está sendo criado um movimento “Volta Raposa” que seria uma organização de todos que saíram da raposa Serra do Sol e não tem onde ficar.
Bem, nada contra eles estarem na Justiça em busca de um Local, só que voltar pra Raposa, aí o Fazendeiro Viajou em suas idéias. Primeiro a Terra já está Demarcada, Homologada e Regitrada, e é de uso exclusivo dos Povos Indígenas.
Por outro lado, esse movimento não teria o apoio que teve em sua retirada da Terra Indígena. As organização hoje já estão mais fortalecidas e tem uma nova visão, até mesmo a organizações que teriam apoiado eles agora mudam seus discursos. Os Locais onde antes eram Fazendas, hoje são Comunidades Indígenas, retiro e outros meios de usufruto dos Povos Indígenas.
Agora o que esse movimento deve fazer, é construir um novo movimento, para buscar soluções pra eles, já que segundo eles não receberam esse lugar. Tem que cobrar é do Governo Federal, e não ficar fazendo Movimentos sem cabimentos e inconstitucionais.

OBS: Assim que eu puder coloco a foto do outdoors


Publicado na rede indios on line.


Alex Makuxi - Raposa Serra do Sol

quarta-feira, 2 de março de 2011

CARTA ABERTA DA TURMA GH1, INSTITUTO INSIKIRAN “UNIÃO DOS POVOS INDÍGENAS CONTRA O TRÁFICO DE SERES HUMANOS EM RORAIMA”


Nós alunos do curso de Licenciatura Intercultural do Instituto Insikiran – UFRR, turma GH1, pertencentes aos povos Macuxi, Wapichana e Ingaricó, entendemos que o tráfico humano é uma questão grave, que tem acontecido em Roraima, sob nossos olhos, aliciando meninas indígenas que são traficadas e barbaramente exploradas sexualmente. Os aliciadores conquistam a confiança das famílias fazendo-se passar por pessoas generosas, boazinhas, oferecendo-lhes carona, empregos lucrativos que envolvem viagens. As ofertas de trabalho geralmente são em Manaus, Guiana, Venezuela ou Suriname.
Por isso, nos organizamos e pensamos que para enfrentar o tráfico de pessoas é necessário, sobretudo, ousadia e mostrar que existe uma sociedade organizada capaz de proteger suas crianças, adolescentes e mulheres contra a exploração e expropriação de sua dignidade humana.
Não podemos nos omitir diante dos levantamentos que apontam Roraima como rota internacional do Tráfico, onde a população indígena aparece com maior vulnerabilidade! Somos educadores e iremos agir fazendo diversas atividades para mobilizar as populações indígenas para essa realidade.
Antes da chegada dos não índios, nós podíamos desfrutar de nossas riquezas naturais e das belezas aqui existentes, sem que tivéssemos que nos preocupar com a exploração e o trafico de pessoas. Hoje, os aliciadores usam os sonhos de falsa riqueza, as ilusões criadas pela população não indígena e fortalecida pela televisão de que uma vida feliz é uma vida com muito dinheiro, longe da família e de sua Terra Mãe. Com simpatia, seduzem as pessoas e as levam para longe onde desaparecem… Eles aprisionam as pessoas, roubam seus documentos e as escravizam de maneira desumana.
Já lutamos e conquistamos nossa Terra Mãe Livre! Agora lutaremos por nossas crianças, jovens e mulheres que são o nosso futuro. Para isso, escrevemos essa carta que propõe que lideranças, escolas, comunidades saibam o perigo que o tráfico de pessoas representa e se organizem, denunciem e protejam seus jovens.
Solicitamos das autoridades maior atenção aos dados de Tráfico de pessoas em Roraima e à Secretaria de Estado de Educação de Roraima a inclusão dessa temática como meta prioritária no Plano Estadual de Educação.



Publicado a pedido de membros da turma GH1, da Licenciatura Intercultural Indígena do INstituto Insikiran - UFRR

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

COIAB ENVIA CARTA DE APOIO AO POVO TUPINAMBÁ

Carta de apoio ao povo Tupinambá

A COIAB vem manifestar seu apoio ao povo Tupinambá que historicamente tem sido alvo de perseguição, com a prisão de suas lideranças que lutam pela retomada de seus territórios tradicionais.

A criminalização de lideranças indígenas tem se tornado uma prática constante ao longo dos tempos. Trata-se de uma resposta dos grandes empresários, latifundiários e políticos que são contra a demarcação das terras indígenas.

A COIAB se mostra contra essas práticas de perseguição e insiste que as autoridades competentes apurem as denúncias de tortura cometidas contra as lideranças indígenas e que os culpados sejam penalizados.

Durante o mandato do presidente Lula foram mais de 400 lideranças indígenas assassinadas.

Junto com o povo Tupinambá, exigimos a libertação da cacique Maria Valdelice de Jesus, a Jamapoty, liderança da Aldeia Itapoã que foi presa arbitrariamente no último dia 03, acusada de invasão de terras, quando na verdade o povo Tupinambá segue firme na luta pelo reconhecimento de seu território tradicional.

Saudações Indígenas,

Marcos Apurinã

Coordenador geral da COIAB

Sonia Guajajara

Vice-coordenadora da COIAB



SITE: http://www.coiab.com.br/coiab.php?dest=show&back=index&id=687&tipo=N

COIAB ENVIA CARTA DE APOIO AO POVO GURANI KAIOWÁ

Carta de apoio ao povo Guarani Kaiowá

A COIAB vem por meio desta, declarar seu apoio aos parentes Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, que sofrem a injustiça de não terem seus territórios garantidos, estando sujeitos a todo tipo de humilhação.

É com muito pesar que acompanhamos a história de sofrimento e resistência desse povo guerreiro, vivendo em acampamentos na beira das rodovias, convivendo com as estradas que oferecem muito perigo e pouca ajuda. No estado onde vivem mais de 50 mil indígenas, é um absurdo não haver terra para esse povo.

A problemática da terra para os povos indígenas é reforçada pelo descaso dos governos. Durante a gestão Lula somente 88 terras indígenas foram homologadas, uma grande traição para aqueles que acreditavam em sua história de luta vindo do movimento sindical.

Os parentes Guarani Kaiowá não têm aonde plantar, por isso vivem de doações. Entretanto, as cestas básicas não são suficientes, como também não é suficiente a atenção do órgão indigenista oficial. Sentimos nojo da inoperância da FUNAI.

Repudiamos a lerdeza com que o Governo Federal trata as questões referentes à identificação, demarcação e homologação das terras Guarani Kaiowá.

Repudiamos as usinas de etanol que se espalham como pragas junto aos campos agrícolas semeados com soja e cana-de-açúcar para alimentarem a fome do capitalismo.

É preciso investigar o assassinato das lideranças do Povo Guarani Kaiowá. Esses crimes não podem ficar impunes. Os fazendeiros e seus jagunços devem ser responsabilizados.

Parentes, um índio sem a sua terra é como um pássaro sem o céu.

Sofremos com a tristeza de seu povo.

Ela também é a nossa tristeza.

Sonhamos o mesmo sonho que vocês. Sonhamos a nossa Terra Mãe livre das ameaças, da maldição do agronegócio e dos grandes projetos. Essa é a reza que os povos da Amazônia fazem.

Estamos todos unidos.

Saudações Indígenas,

COORDENAÇÃO DA COIAB


SITE: http://www.coiab.com.br/coiab.php?dest=show&back=index&id=686&tipo=N


Ser Indío e ser mais que brasileiros

Atualmente no Brasil, nós povos indígenas vivemos em intensa pressão, seja por partes de fazendeiros que contratam jagunços para nos perseguir, ou mesmo pelo governo que tem outras formas de nos perseguir “uma perseguição regularizada por ele mesmo”.

Na Bahia as lideranças indígenas vêm recebendo acusações injustas. Aliás, não só acusação tem prisões também. Em Roraima a Raposa Serra do Sol, não foi diferente, mais de trinta anos de lutas dos povos indígenas até conseguirem ter nossas Terras demarcadas. Mais isso não é tudo: o governador atual, por que se reelegeu, disse: que a Raposa Serra do Sol, se transformaria em um zoológico humano. O finado governador, Ottomar de Souza Pinto, chegou a declarar luto quando a Raposa Serra do Sol, foi homologada. No mato Grosso, as Terras dos Povos indígenas de lá nunca forma demarcadas.


Somos tratados de forma diferente de outros cidadões, não é de hoje, é desde as invasões de nossa Terra(BRASIL) , que sofremos injustiça. Mais sobrevivemos, mesmo assim, de quatro anos muda de governos, mais o resto continua o mesmo. A saúde em nossas aldeias, está complicada, prova disso a denúncia que as lideranças fizeram a COIAB, sobre o DSEI-MANAUS, Na Educação não é Diferente, as escolas que aqui na Raposa Serra do Sol se diz “ESTADUAIS” são construídas e muitas vezes mantidas por nós mesmo, assim também os postos de saúde.


Quando nos mobilizamos para reclamar, ou denunciar, somos taxados de formadores de quadrilhas, e mandam a polícia ao nosso encontro. Foi assim, que aconteceu com as lideranças Tupinambás. Nosso direito a Terra é Constitucional, mais não é cumprido. Vivemos em um país democráticos, mais somos obrigados a votar em pessoas que não fazem quase nada, ou mesmo nada por nós. Aí vão se perguntar, e por que não votam no pessoal que represente vocês? Tentamos, mais nossas lideranças que lutam pelo povo, são perseguidos e muitas vezes mortos. Nos programas do Governo federal, que passam nos canais te TV, é uma maravilha: transporte escolar,para todos os que moram longe da Escola, é pra nós não chegou, temos que ir andando, muitas das vezes sentar no chão, escrever no papelão.

Não sei ser brasileiro é merecer esse tratamento, só sei que o descaso com as questões indígenas é visíveis, só não ver quem não quer. Taí na frente dos olhos: hidelétrica de Belo Monte é Suicídio!!! Não demarcar nossas Terras é Inconstitucional !!!, prender as lideranças que lutam por uma melhoria de seus Povos, é falta de Respeito !!!, Bom e o que é que não é falta de respeito ?? Quem liga pra isso é só nós mesmo: Os povos Indígenas. Então é por isso que mesmos com, prisões, mortes, ameaças, discriminação e preconceito, nós vamos continuar nossa luta. Vamos continuar até o fim, e eu digo, o fim está muito longe, mais nós somos fortes o suficiente.

Alex Makuxi – Raposa Serra do Sol

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Por que não elegemos Deputados Indígenas…?

Por Taukane, Estevão Carlos Etnia Bakairi (Kura) – MT

Levantar as possíveis causas e conseqüências do fracasso eleitoral no mundo indígena é o desafio e o tema ao mesmo tempo que nos obrigam a refletir com urgência, e temos certeza que vamos recolocá-los em seus devidos termos, para tentarmos mudar esse paradigma que já virou um ciclo vicioso.

Para objetivar nossa análise vamos delimitá-la a partir do final da ditadura militar, a saber, de 1980 a 2000, período em que como observador atento constatamos aumento progressivo das demandas do ‘movimento indígena organizado’. E sua inserção no noticiário da imprensa nacional, tendo por foco a participação indígena dentro do processo de redemocratização do país, com eleições livres para presidentes, deputados, prefeitos, vereadores, etc.

Assim, lembramos que importantes fatos sociais aconteceram neste espaço de tempo [mais de 20 anos] no âmbito da sociedade nacional [e por extensão no que tange aos povos indígenas] estes, na área dos direitos humanos, com a promulgação da Constituição Cidadã de 88, o fortalecimento dos movimentos sociais, a eleição do cacique Xavante Mário Juruna [1982-1986] para Deputado Federal, e de recente um sindicalista metalúrgico Lula presidente do Brasil [2002-2010].

Em referência à eleição do Deputado Federal, Mário Juruna (PDT-RJ), na condição do primeiro índio brasileiro da história eleito deputado, destaque-se, para não dizer que nunca tivemos um parlamentar de sangue nativo, mas diga-se também que, creditamos a vitória eleitoral de Juruna, mais à benevolência da população carioca e menos à competência de nossas organizações próprias. Não é nenhum demérito. Em outros termos, a eleição do nosso parente, ainda que se trate de um fato histórico incontestável, foi uma exceção ocorrida do mesmo modo que aconteceu com o episódio do nosso amigo palhaço Tiririca, eleito deputado federal pelo povo de São Paulo. Nada contra. É apenas uma constatação fática.

Mas, e aí, quanto a nós, hoje, como fica? Continuamos seguindo apenas como lembretes das chamadas autoridades constituídas, que aparecem nessas ocasiões “democráticas eleitorais”, como meros coadjuvantes e eternos descendentes dos ‘primeiros habitantes’ e ‘donos’ deste país continental? Ou vamos reagir para transformamos essa história! E o que nos falta? A união, organização, inteligência? Ou recursos humanos? Ou é o fato de pertencermos a povos étnicos minoritários que vem atrapalhando nossa articulação em busca de maior coesão?

Sobre o perfil de nossas lideranças políticas: O que dizem os parentes de modo específico e em geral. E como devemos formar um perfil ideal de uma candidatura própria identificada com os anseios dos nossos caciques, dos nossos grandes sábios que são os pajés? E o modo de proceder, os ideais, a atuação, e a defesa de projetos e propostas por parte de candidatos que se lançam para concorrer, têm refletido as reais necessidades das aldeias? Como isso é feito? Há um consenso na escolha de candidatos indígenas? Quem faz isto?

Enfim, por que não elegemos um deputado indígena até agora ? Ou melhor, de quem é a culpa, se é que existe alguém culpado nesta história. Dos missionários católicos? Dos evangélicos que atuam junto aos povos, ou é da FUNAI e/ ou das Ong’s indigenistas que não nos promovem com medo de que vão nos perder para sempre!?

Questões acima elencadas devem e precisam ser debatidas com maturidade, equilíbrio e muita sinceridade, para reorientarmos a construção de um projeto político indígena em nível de Brasil, urgentemente, sob pena de continuarmos sem eleger os nossos representantes, nem no plano estadual nem no plano federal, a exemplo do que aconteceu em 2010 nas últimas eleições.

1. Taukane é um indígena da etnia Bakairi autodenominada Kura ou Kurodomodo, e acadêmico do curso de Filosofia da UFMT.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Situação dos Alunos Indígenas da Universidade Federal de Roraima

Atualmente se prevê que se tenha um total de 400 alunos indígenas matriculados na UFRR, desses a maioria cursa a Licenciatura Intercultural Indígena, em segundo lugar vem o novo curso de Bacharel em Gestão Territorial Indígena( Novo Curso), ambos são frutos do Instituto Insikiran, e os outros alunos se dividem nos diversos cursos não específicos da Instituição. E já se planejam o projeto Político Pedagógico do Curso de Gestão de Saúde, também pelo Instituto Insikiran.
A preocupação maior é que os alunos que cursam os curso não específicos, como vou chamar aqui( são aqueles que os alunos estudam com alunos não indígenas, como é o caso de história, medicina, psicologia, antropologia, etc), esses alunos não tem um projeto de acompanhamento e formação. Nesse caso, coloco aqui também o Processo Seletivo Específicos para Indígenas, que são o que oferecem as vagas nos cursos de Bacharéis não específicos da UFRR.
Os alunos da Licenciatura Intercultural Indígena, a maior parte deles são professores concursados, e os que não são recebem uma bolsa para continuar estudando, os alunos do Curso de Gestão territorial, que o semestre é divido em duas etapas: período Universitário e período Comunitário, recebe um auxilio da FUNAI no valor de R$300,nos meses correspondente ao período comunitário. Já o caso dos alunos de outros cursos da UFRR, são os que posso dizer que não tem apoio, nem da Universidade, e em parte, alguns recebem uma ajuda de custo da FUNAI no valor de R$ 214. Esses, além de competir com a maioria dos alunos da Universidade as bolsas que são oferecidas por ela. O falta de recursos financeiros, são os principais culpados pela evasão dos alunos indígenas.
O fato de a Universidade ter o Processo Seletivo Específicos para Indígenas, o que chamamos de PSEI, não quer dizer que todos os alunos que entraram se formarão. Afirmo esse fato, pois ao pensar entrada de Alunos Indígenas a universidade não pensou na “PERMANENCIA” desses alunos. Isso ocasiona sérios problemas a estes, primeiro, sem recursos para compra de livros ou apostilas, eles acabam ficando reprovados em disciplinas no decorrer do semestre, impossibilitando assim de poder concorrer a Programa de Iniciação Cientifica – PIC, sem falar no atraso do curso.

Acredito que tanto a FUNAI como a UNIVERSIDADE são as capazes de assumir esse compromisso com esses alunos, que a cada ano vem crescendo em números surpreendentes dentro da Instituição. Caso contrário, vamos continuar entrando nas Instituições de Ensino Superiores, e ficaremos entregue a sorte, e muitas das vezes, quando poderíamos contar com um profissional Indígenas Formado, vamos continuar dependendo de profissionais que demoram uma década para entrarem nas comunidade indígenas.

Alex Makuxi

Estou na cidade e Contínuo sendo Índio

A maioria dos indígenas que vive nas cidades sofreram e sofrem discriminação e preconceito. Em muitos casos o discurso preconceituso vem acompanhado do senso comum, “índios é o que vive na mata, que anda pelado, que não tem veículo automotivo…” enfim, esse fato foi discutino na cidade de Boa Vista através da Organização dos Indígenas da Cidade – ODIC, essa organização está lutando com unhas e dentes para barrar essa margem de preconceito.
O fato a questionar é : os indígenas vieram para a cidade? ou a cidade que chegou para os indígenas ? Por que assim, pois vejamos, a cidade está cercada pelas comunidades Indígenas e nela se encontram aproximadamente 30 mil indígenas. Muitos deles vindo de outros países vizinhos. Segundo o Professor Reginaldo Gomes de Oliveira, da Universidade Federal de Roraima, aqui onde é a atual Cidade de Boa Vista era uma Comunidade Indígena Macuxi, e o nome seria kuwai Krî, que quer dizer Terras de Buritizais. Essa mesma História, se repete nas reuniões da ODIC, e também nos discursos de alguns ãnciões de comunidades do Interior do Estado.
Boa Vista foi implantada em cima de uma Comunidade Indígena, e o melhor é uma Comunidade Indígena, e a maior do Estado. Pode ser dizer que a maior aldeia de Roraima é BOa Vista, sem pingo de dúvida. De acordo com a História do não-índio a cidade criou-se a partir de uma Fazenda, o que ao se questionado com alguns anciões de comunidades, eles afirmam que tinha sim uma fazenda, mais não a que se tornou Boa Vista.
O fato de eu está na cidade, usar celular, roupa, calçado, ir para a universidade, passear nas praças, não me tira a identidade indígenas, aliás eu na cidade estou apenas visitando parentes, o que significa que aqui na cidade eu me sinto como na minha comunidade, só que agora aqui é uma comunidade onde se tem vários Povos Indígenas e não Indígenas.
Em observação quero citar qui dois livros que foram lançados pela UFRR em parceria com a Organização dos Índios da Cidade – ODIC:

>Diagnóstico da situação dos Indígenas da Cidade de Boa Vista – Roraima.
>Projeto Kuwai Kîrî: a esperiência Amazônica dos Indíos Urbanos de Boa Vista Roraima.

Esses dois livros trata das questões relativas a situação dos indíos na cidade de Boa Vista. O primeiro, destaca nos discursos dos indígenas o preconceito, a discriminação, o racismo social entre outros com relação aos povos indígenas na Cidade. o Segundo são relatos de membros da ODIC, dos trabalhos desenvolvidos nos baiirros.

Alex Makuxi