Raposa Serra do Sol

Raposa Serra do Sol
Terras de Makunaima

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Alunos fazem protesto contra a violência


Neuraci Soares


Alunos de diversos cursos da Universidade Federal de Roraima (UFRR) realizaram manifestação contra a violência no Campus Paricarana, no final da tarde ontem. O movimento teve objetivo de chamar atenção da administração da instituição e da sociedade em geral para os casos de violência que vêm sendo registrados no local.

Gilmara Lima Pereira, estudante do curso de sociologia e uma das coordenadoras da manifestação, disse que os alunos não aguentam mais a insegurança dentro do campus e depois da agressão vivida pelo estudante de mestrado e funcionário da instituição Valdinei Fortunato, 32, no último dia 17, não poderiam ficar calados.

Gilmara informou que, além dos alunos de sociologia, participaram da manifestação, estudantes de letras, história, comunicação social, direito, entre outros. O movimento contou com a distribuição de panfletos contra a violência e racismo, exposição de cartazes e fechamento por alguns minutos da guarita da entrada principal da universidade.

Os alunos lembraram também de outros casos de violência vividos dentro do campus. “Temos uma aluna do curso de letras que passou por sérios constrangimentos causados por um dos guardas que prestam serviço na guarita ao ser assediada por ele, sendo usados termos constrangedores em público”, relata Gilmara.

O caso, segundo a coordenadora da manifestação, foi denunciado por escrito à direção da universidade, mas, até o momento, nenhuma medida foi tomada. “Não podemos aceitar fatos como esse. O guarda ficou chamando a aluna de gostosa e outros termos vulgares e ninguém faz nada”, questionou Gilmara.

A discriminação foi outro fator relatado na manifestação. Segundo os alunos, as pessoas que entram na UFRR a pé ou de bicicleta são sempre abordadas pelos guardas, mas quem entra de carro ou moto não precisa se identificar. “Por que essa discriminação. Parece que só quem é pobre é bandido”, expressa, indignada, a aluna de sociologia.

UFRR – O reitor da UFRR, Roberto Ramos, informou, por meio da assessoria de comunicação, que toda manifestação dentro da ordem é bem vinda, tendo em vista a universidade ser um local onde se fomenta a liberdade de expressão e luta de direitos.

Sobre a reclamação encaminhada pela aluna de Letras sobre possíveis constrangimentos causados por um guarda da vigilância da instituição, a assessoria de comunicação informou que as medidas cabíveis estão sendo tomadas, mas que a instituição necessita juntar provas para respaldar qualquer medida, mas que, mesmo assim, já teria feito uma recomendação à empresa prestadora de serviços de segurança no que tange ao comportamento dos seus funcionários.



Publicada no no Jornal FOLHA de Boa Vista no dia 23/11/2010
http://www.folhabv.com.br/Noticia_Impressa.php?id=98566



Apenas lembrando que durante o Protesto o reitor ou algum pro-reitores se amnifestou, e a nota de esclarecimento lançada pela UFRR, foi mais uma vez repetida, sem nenhuma alteração.
Alex Makuxi


sábado, 20 de novembro de 2010

Manifestação Contra o Uso da Violência dentro da Universidade Federal de Roraima

Nesta segunda feira, dia 22, Alunos professores estarão fazendo uma manifestação contra o uso da violencia dentro da Universidade Federal de Roraima- UFRR. Não queremos que estas "pessoas que se dizem segurança" fiquem impunem.
Lembrando que a Univesidade de acordo com a nota de esclarecimento publicado no seu site, está tentando abafar o caso, e muitas pessoas estão tratando o caso como "O caso do Aluno Valdinei", isso não é verdade, ele era funcionário lotado na UFRR, e não é a primeira vez que acontece abuso de poder por parte desses "guardas",é sim, a primeira vez que é denuciado , algumas pessoas PRINCIPALMENTE as que não tem transporte automotivo, tem sido barradas na guaritas, enquanto outras passam livremente.
Isso se chama PRECONCEITO, ato criminosos, fruto de racismo social.


Vamos nos Mobilizar e pedir por JUSTIÇA e SEGURANÇA !!!!!

URGENTE: POVO GUARANI KAIOWÁ DE YPO’Í PRECISA DE SUA AJUDA

O Povo Guarani Kaiowá, na região do rio Ypo’í, município de Paranhos, no Mato Grosso do Sul, pode ser despejado a qualquer momento, com toda força e aparato policial.

Em agosto deste ano, a comunidade buscou novamente retomar o território, mas desde então, tem sido vítima de ataques e vive cercada por pistoleiros fortemente armados, que impedem o acesso da comunidade a comida e à assistência à saúde por parte dos órgãos públicos competentes – Funai e Funasa. Trata-se de uma centena de pessoas mantidas numa espécie de “cativeiro privado”, ao mesmo tempo em que a Funai está realizando estudos de identificação destas terras, cumprindo sua função constitucional.

Esta situação ficou mais complicada após a decisão judicial (liminar) proferida pela Juíza Federal Lisa Taubenblatt, da 1º Vara Federal de Ponta Porã – MS, no dia 20 de outubro, que determinou a desocupação da área pelo referido povo indígena. Agravando a situação, no último dia 10, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª. Região negou provimento ao recurso (agravo de instrumento) apresentado na tentativa de derrubar a decisão de primeira instância, confirmando, portanto, a decisão de retirada dos indígenas da área.

A Funai ingressou com pedido de reconsideração junto à Juíza Convocada Eliana Marcelo, relatora do recurso (agravo de instrumento) no TRF da 3ª Região. Este novo recurso está sendo analisado pela Juíza Eliana - que está substituindo o Desembargador Nelton dos Santos - que pode decidir a respeito a qualquer hora.

Nesse momento, somente uma decisão rápida e favorável da Juíza Eliana poderá evitar mais uma retirada forçada das famílias Guarani de seu território.

Diante desse cenário, sua solidariedade é extremamente importante e urgente, no sentido de contribuir na informação e sensibilização da Juíza Eliana Marcelo em relação à história e situação vivida pelos Guarani Kaiowá da Terra Indígena Ypo’í e sobre a importância e significado da sua permanência em seu “tekohá” (terra tradicional, que é sagrada).

Histórico de violências

O Povo Guarani Kaiowá foi expulso de seu território tradicional no Mato Grosso do Sul há décadas. Na região do rio Ypo’í, no município de Paranhos, fronteira com o Paraguai, a comunidade Kaiowá foi expulsa pela ação de fazendeiros daquela região há 27 anos. Desde então, lutam incessantemente pela reconquista do espaço usurpado.

Em novembro de 2009, a comunidade Kaiowá do Ypo’í retornou ao seu “tekohá” (terra tradicional, que é sagrada). Três dias depois, foram violenta e covardemente atacados por fazendeiros e seus pistoleiros. Na ocasião, vários indígenas foram feridos a tiros e torturados. Dois professores, Genivaldo Vera e Rolindo Vera, foram levados e assassinados. O corpo de Genivaldo foi encontrado alguns dias depois com muitas marcas e ferimentos. O corpo de Rolindo, no entanto, ainda não foi localizado.

Em agosto de 2010, os Guarani voltaram a este “tekohá”, no intuito de encontrarem o corpo de Rolindo – busca abandonada tanto pela Polícia Federal como pelo governo do estado.

POR FAVOR, ESCREVA À JUIZA CONVOCADA PEDINDO QUE:

* Garanta a permanência dos indígenas Guarani Kaiowá do Ypo’í na área, a segurança da comunidade, além do acesso à comida, água, cuidados de saúde e que eles possam se deslocar livremente.

* Garanta o cumprimento pleno das obrigações das autoridades brasileiras sob a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas e a Constituição Brasileira, finalizando a demarcação de todas as terras indígenas.


ENVIE OS APELOS O QUANTO ANTES PARA:

Juíza Eliana Borges de Mello Marcelo

Email: emarcelo@trf3.jus.br

Tel/Fax: (11) 30121373

Modelo

Excelentíssima Senhora Juíza Dra. Eliane Marcelo,

Ciente da difícil situação vivida pela comunidade Guarani Kaiowá na região do rio Ypo’í, manifestamos nossa preocupação quanto ao respeito à dignidade daquelas famílias, no sentido de que sua permanência seja garantida no local em que se encontram, com toda a assistência devida pelo Estado brasileiro no que diz respeito ao atendimento à saúde e à integridade física, até a conclusão do procedimento demarcatório de suas terras tradicionais.

Solicitamos que possa V. Exa. julgar o Agravo de Instrumento 0033719-02.2010.4.03.0000/MS considerando a primazia dos direitos originários que são garantidos aos povos indígenas pela Constituição Brasileira, bem como pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho e pela Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

Importante ressaltar que os estudos de identificação das terras Guarani Kaiowá, inclusive da área ora ocupada por esta comunidade, estão em curso pela Funai.

Certos de sua atenção, firmamo-nos,

Respeitosamente,

(Nome, CPF ou RG, endereço)


Maíra G. Heinen
Assessoria de Comunicação - Cimi
Tel.: 61. 21061670
Cel.: 61. 99796912
editor.porantim@cimi.org.br
skype: jornal.porantim

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Segurança sim. Violência Não !!!

Um caso de violência, no ultimo sabado dentro do Campus do paricarana da Univerisdade Federal de Roraima, deixou muitos alunos, funcionários e pessoas da Univervesidade e de outras instituições Indignado.
Podemos até dizer que isso foi fruto de preconceito. De pessoas que não sabem lhe dar com armas e que mesmo assim são chamados de Segurança. Talvez em uma tentativa de abafar o caso, a Universidade Federal de Roraima-UFRR, lançou uma matéria no seu site, intitulada "Nota de esclarecimento – Sobre procedimento de abordagem e identificação nas guaritas" no link: http://www.ufrr.br/noticias/coordenadoria-de-imprensa/nota-de-esclarecimento--sobre-procedimento-de-abordagem-e-identificacao-nas-guaritas , na qual utiliza uma foto de uma outra guarita e não a que estava o "guarda" agressor. E segundo a mesma o estudante caiu da bicicleta, chegando a ter ferimentos, mas mesmo assim precisou ser imobilizado.O que não se passa de uma tentativa de tirar da UFRR de não pensar em um mobilização e protestar contra esses agressores, que não apenas sejam expulsos da universidade, mas que possam responder pelos atos criminosos, fruto de preconceito e racismo, racismo social.
Abaixo segue também um relato do Próprio Acadêmico e que também é funcionário do NECAR-UFRR,
Que para saberem, ele estava sim com a identificação no uniforme em que estava usando.
Segue também as fotos do Acadêmico depois de agredido.



Neste sábado dia 13/11/10 as 15:20 sofri agressão física dos guardas da entrada da UFRR pela av: Venezuela.
Sou Estudante da universidade desde 2001 quando entrei na graduação em Ciências Sociais, fiz Especialização e estou terminando o Mestrado em Economia nessa mesma Universidade. Além disso sou funcionário da UFRR desde o começo de 2009 cedido pela prefeitura de Boa Vista. Passo nesse mesmo portão de entrada pelo menos 4 vezes por dia.
Já fui abordado diversas vezes pelos guardas em outras ocasiões. Todas as vezes sempre os CARROS ou MOTOS que estão à minha frente passam sem ser solicitado identificação, Mais quando eu vou passar, me param.
Percebí que o motivo das abordagens diárias era porque sempre entrava na UFRR numa BICICLETA VELHA ano 1982. Quando entrava de carro sempre passei despercebido.
Neste sábado, aconteceu a mesma coisa. Um motociclista passa pelos guardas 5 metros na minha Frente. ELA PASSA, e a mim pedem para parar. Decidí que não ia parar pois estavam tratando as pessoas com diferença e falei pro guarda passando de bicicleta que não ia parar, e porque ele não pediu identificação do motociclista que passou no mesmo momento que eu.
Continuei meu trajeto em direção ao NECAR/UFRR onde ia trabalhar. 30 metros depois um dos guardas pegou a motocicleta e partiu para cima de mim. Eu parei e disse que ia trabalhar. Ele me derubou da bicicleta e me agrediu covardemente com um cacetete ferindo minha boca e quebrando vários dos meus dentes, enquanto o outro guarda vinha com arma em punho apontado para mim que estava caído sendo agredido pelo outro. Não me agrediram mais, ou atiraram em mim porque as pessoas que passavam interviram ao ver o absurdo.
Fui ARRASTADO ATÉ A GUARITA SENDO AGREDIDO dessa vez por palavrões e insultos pois os mesmos diziam que eu não ia entrar e era pra aprender a respeitar cara de homem. Mais eles eram mais homens do que eu porque estavam com uma arma? Depois que chegou meus colegas do NECAR e outros professores no local da agressão, os guardas disseram que tentaram me imobilizar, que não me conheciam e que não me identifiquei. Mais veja só. Eu estava fardado com a camiseta do NECAR/UFRR bem grande estampado no meu peito e em horário de aula. O motociclista que passou de capacete e sem nenhuma identificação eles disseram que era estudante. Como eles sabem quem é e quem não é estudante nessa UFRR? Precisam me conhecer para que eu possa entrar no meu local de trabalho e na universidade que estudo a tanto tempo?
.
Passem para seus contatos, para que isso não volte a acontecer, numa universidade pública e em nenhum outro lugar. Para que o direito de ir e vir dos servidores alunos e comunidade não seja cerceado nessa UNIVERSIDADE QUE É PÚBLICA.
Um abraço
Valdinei fortunato portela

Amigos, não podemos deixar que isso possa acontecer em uma Universidade Pública, em pleno dia letivo.


Alex Makuxi

alex.makuxi@gmail.com



sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Carta Aberta aos ilustres senadores Acir e Mozarildo de Rondônia e Roraima respectivamente:

O Brasil já é o “fundo do quintal do mundo” (não precisa querer ser transformado em tal, como senador Acir se expressou). Ihumanossto, porém, em temos de mediocridade e hipocrisia dos representantes
“eleitos” por um povo transsecularmente mantido em profunda ignorância e deculturação dirigida e que, portanto, vende seu voto àqueles que mais cedo ou mais tarde tornarão caso de Polícia Federal e/ou Justiça (pós-Gilmar-Mendes).

Seu discurso infamemente anti-ambientalista e toscamente chauvinista de ontem (dia 11 de novembro de 2010), caro senador Acir (e seus acrescimentos tão falsos – em termos científicos quanto éticos – como pérfidos, caro senador Mozarildo) compõem apenas mais uma obra desse coquetel evidentemente inesgotável de mediocridade e hipocrisia da parte da senhoria da Casa Grande do Brasil (contemporâneo).

Num ponto, porem, concordo, achei honestidade e sinceridade na sua leitura. Precisamente na sua preocupação diante a possibilidade de um governo de Nações Unidas da Terra (que meus filhos, se a Terra até então ainda fosse habitável, provavelmente conquistarão). E que já consta até uma exigência oficial, por exemplo, dos jovens do Partido Verde da Alemanha.

Já que num governo global figuras neo-feudais e multiplamente nocivas para humanidade e planeta Gaia como os senhores só teriam vez como folclóricos bobos de Zimbábue e Brasil daquela era (atual nossa) quando nestas regiões terrestres ainda houve governos maquiavélicos que mantinham seus povos na mais profunda armadilha da ignorância e manipulação fácil.

O (pelos senhores) sempre chamado ídolo Crescimento realmente é necessário. Mas só e Exclusivamente em termos educativos, informativos e emancipatórios dos povos. Para que possam eleger de fato e, consequentemente, livrar via as urnas (e ruas, se for necessário, vejam Paris, vejam Londres, lembram Copenhague, lembram Brasília) o país Terra dos defensores e lucradores da exploração-destruição global corrente. Como aqui no feudo Brasil os dois senhores (e tantos outros ilustres tragicômicos neste Senado). Como as donas Kátia Abreu e Serys. Como a dona Dilma. Como o neo-senador e mega-destruidor Maggi e o ex-ministro da ridicularia atômica Lobão (...) e toda Companhia Ruralista e/ou Serrista e/ou Lulista. E como todos os ingênuos ventríloquos que não parem de ruminar tal casamento dos antagonistas sustentabilidade e crescimento (que é impossível) e que defendem, portanto, a via da morte a qualquer custo dos outros.

Se querem aprender (o que não querem, eu sei), descem dos seus torres de marfim e aprendem com o que resta dos Povos Originais daquelas terras roubadas que os senhores continuam ocupando (e detonando). Aquela gente que querem catequizar (senão exterminar) com sua sabedoria e moral mortais. Que, porem, sabiam viver bem=feliz nestas terras durante milênios sem destruir nada. E sem a sua tecnologia e sua religião do Mais que beneficiam (materialmente) uns poucos e
trazem miséria para muitos. Em breve temos um bilhão de seres humanos fomentos. Graças ao seu modelo econômico-destruidor!

Se o Claude Lévi-Strauss ainda estaria com a gente enviaria seu(s) discurso(s) descarado(s) para ele (também) responder. Seguramente ele, também, um perigoso agente da conspiração gringa(-judéia) contra (seu) Brasil (escravocrata) e os (seus) interesses feudais (particulares). O Edgar Morin, outro gringo judeu conjurado certamente, até já tomou posição diante este enganador mantra de crescimento e progresso chauvinistas. É apenas acessar no internet seu pensamento “Se eu fosse candidato” do ano 2007.

Sinto é profundo nojo dos senhores. Sinto, através de sujeitos como os senhores, o futuro dos meus filhos (e netos) gravemente ameaçado. (E não gosto nada disso!) Mas ainda aposto na força da verdade e do senso comum. Mataram o Chico Mendes que foi um bom representante dessas qualidades. Mas não adiantou. A Vandana Shiva, por exemplo, hoje as representa com sucesso. Globalmente. O tempo dos senhores já está acabando.

Sem mais, sem abraço e sem cordialidade,
Christian Ardaga Widor
Etnólogo e Pedagogo
Piatã, Bahia

NEM IN-DIOS E NEM DEUS

Minha gente, como todos viram claramente, nenhum dos dois candidatos, nem a eleita em seu pronunciamento antes e após a vitória, em momento algum falou a palavra “DEUS” ou “INDIOS”.

Nem tampouco utilizou o rosto de qualquer parente indígena durante as campanhas, onde Lula, quem elegeu Dilma, caiu fora quando disse que não vai interferir em suas decisões. É ridículo ver nossas lideranças fazendo valer o velho ditado que diz que quando não podemos com nosso inimigo o melhor é mesmo unir-se á eles, e ficam discutindo, ou celebrando a vitoria dos não indígenas que se mantém no poder, e pouco fez por nós.

Vejo que o calor da campanha e as agressões entre os parentes indígenas não se encerraram, mesmo após a eleição, e mesmo ouvindo em tom positivo, de fé e esperança que TEMOS QUE NOS UNIR, E INDIO TEM QUE CONFIAR EM IN-DIOS SE QUIZERMOS AVANÇAR. Certíssimo!

Mas estamos longe desta realidade, hoje tão vitoriosa entre os negros, o MST e os gays, que sua força veio da união, formula infalível para se discutir política publica e governo. É importante lembrar que quando eles descobriram que 70 milhões de brasileiros acessam a internet, se apoderaram desta ferramenta e colherem assinaturas, válidas por e-mails, de pessoas de dentro e de fora do seu movimento que aderiam à causa.

Na minha humilde e simples opinião, é fácil ver que a forma como os não indígenas transformaram e deixaram este mundo, ficou impossível de nós indígenas vivermos aos moldes da nossa cultura indígena primitiva e tradicional. Eles criaram um mundo onde tudo é igual: a mentira e a verdade, o verdadeiro e o falso, o feio e o bonito, o assaltante e o assaltado, a vítima e o delinqüente e até a estuprada e o estuprador. Vimos e ainda vemos claramente as verdades em suas mentiras e as mentiras em suas verdades dentro e fora das campanhas políticas, quando mudam os discursos para obterem mais votos.

Mas é por isto que eu venho aqui pedir um pouquinho de sua preciosa atenção para dizer que, se olharmos este modelo de novo mundo, que existe fora da nossa cultura indígena, sentimos e creditamos que o projeto de vida mais seguro e eficaz para este mundo deles, e até mesmo para o nosso mundo indígena, foi o anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo, que como nós também nasceu em uma oca, ou manjedoura de chão de terra batida, entre bichos, era nômade, sem endereço, vivente das Aldeias de Samaria, seus inimigos, e de seus amigos da Aldeia de Cesaréia, era da Tribo de Judá. Então Jesus Cristo é nosso Parente!!

O mundo ensinado por Ele era o do ser para ter e não ter para ser. Este projeto divino se adapta a todas as culturas justas, familiares, sociais e desprendidas de riquezas, não se esgota em nenhum regime de governo e vimos que ele não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade, mas adéqua e contempla a preservação da vida humilde e sem guerras, mas isto quando praticado.

Entendo que é este projeto de reino moral, social, sem egoísmo e sem preconceito, que tanto sonhamos e até declaramos quando oramos “venha o teu reino”. Diante de tantas injustiças e preconceitos com os povos indígenas ao longo destes anos, nós ainda cremos que um dia, quem sabe este reino virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas do Brasil e deste mundo; porque, da forma em que vive este mundo, acredito que, se não nos unirmos, em duas ou três gerações já não existirá mais os povos indígenas, que á 510 anos atrás éramos seis milhões, ou mais, e hoje estamos reduzidos á menos de 10% por falta de políticas publicas e direitos não praticados.




Cacique Robison Minguel
NOVA CONFEDERAÇÃO DOS TAMOYOS

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Violência Estatal Contra os Povos Indígenas

Na madrugada de sexta-feira, dia 29 de outubro de 2010, a Ocupação Indígena do Museu do Índio do Maracanã, instalada na primeira sede do Serviço de Proteção ao Índio (SPI, embrião da atual Funai) e articulada em 28 etnias organizadas no Instituto Tamoio dos Povos Originários, acordou isolada da cidade do Rio de Janeiro. O poder público, a serviço da Odebrecht Brasil SA, da Delta Construções SA e da Construtora Andrade Gutierrez SA, vencedoras da licitação para as “obras de reforma e adequação do Complexo do Maracanã" (orçadas em R$ 705.589.143,72, com 900 dias de prazo de vigência), ergueu um Muro da Vergonha - semelhante à muralha erguida pelo governo George Bush na fronteira com o México para neutralizar a imigração - separando a rua Mata Machado e os indígenas do Movimento Tamoio, residentes na Ocupação Indígena, do resto da sociedade carioca e nacional.

Seguranças da empresa terceirizada do Estádio Mário Filho impedem que os indígenas e apoiadores usem a entrada que dá acesso para a avenida Maracanã, fechada por um portão (lacrado durante à noite); um buraco foi criminosamente aberto no muro externo do terreno, Patrimônio Indígena, por ordens do engenheiro Marcos (provavelmente Marcos Vidigal do Amaral, contratado da Odebrecht Brasil SA), dando saída para a perigosa e intransitável Radial Oeste - obrigando os indígenas a darem uma volta no entorno do terreno, perigoso, pois desabitado, para irem em direção de São Francisco Xavier, onde há comércio, ou em direção do ponto de ônibus em frente ao CEFET, para poder pegar ônibus para o Centro e outros bairros.

O Cerco à Ocupação do Movimento Tamoio, às vésperas das eleições presidenciais, demonstra que o Governo Federal, amparado pelo monstro conhecido como “opinião pública”, pouco ou nada se importa com as minorias étnicas do país, o que não é de se estranhar - não tendo nenhum dos candidatos à presidência da República mencionado a situação dos Povos Originários Brasileiros nos debates, talvez encorajados pelo fraco desempenho dos candidatos indígenas nas Eleições 2010. O Governo Federal, ao longo do ano de 2010, organizou cinco mega-operações policiais e brutais contra indígenas defronte ao Congresso Nacional, cometendo ações de Terrorismo de Estado contra crianças, gestantes e idosos indígenas, sem que a mídia corporativa se dignasse a reportar. Portanto, o Governo pensa que “ninguém está vendo” (e, “se estão vendo, pouco estão se importando”).



Publicado na Midia Independente

Cinep lança livro “Olhares Indígenas Contemporâneos”

O Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (Cinep) lança o livro Olhares Indígenas Contemporâneos, uma coletânea que reúne seis artigos de autores indígenas produzidos a partir de teses de doutorado e dissertações de mestrado, defendidas entre 2008 e 2010, e de uma pesquisa sobre o perfil dos estudantes universitários indígenas no Brasil.

Rita Gomes do Nascimento, da etnia Potiguara, abre o volume com o artigo “Performances e experiências de etnicidade: práticas pedagógicas Tapeba”, em que discorre sobre as razões da proeminência dos professores indígenas como mediadores políticos e representantes das comunidades indígenas junto à sociedade envolvente.

Edilson Martins Melgueira, da etnia Baniwa, investiga os classificadores nominais da língua baníwa, do rio Içana, buscando discutir conjuntamente léxico, morfossintaxe e contexto discursivo, bem como refletir a maneira Aruák Baníwa de ver, sentir e organizar os elementos que constituem seu universo.

Florêncio Almeida Vaz Filho, do povo Maytapu, faz uma etnografia dos processos de mobilização étnica envolvendo cerca de 40 comunidades na região do baixo rio Tapajós, na Amazônia, que passaram a se identificar publicamente como indígenas no final da década de 1990.

Vilmar Martins Moura Guarany, indígena Guarani, realiza uma análise sobre a relação das áreas de meio ambiente e de direitos indígenas. Para isso, faz uma descrição dos principais instrumentos e acordos internacionais relacionados à definição do conceito de “desenvolvimento sustentável”.

Rosani de Fátima Fernandes, da etnia Kaingang, trata dos processos de resistência e luta pela sobrevivência dos Gavião Kyikatejê, desde sua transferência do atual estado do Maranhão até a constituição da reserva Mãe Maria, no Pará, abordando a recuperação da sua autonomia, em 2000, em relação aos Parkatejê.

O artigo final, assinado pelo Cinep, apresenta o perfil do estudante indígena na universidade, montado a partir de uma pesquisa realizada pela instituição com 481 acadêmicos indígenas, dentro de um universo estimado hoje de 6.000 estudantes indígenas matriculados no ensino superior em todo o Brasil.

Mesmo com uma presença crescente de indígenas no ensino superior, as teses e dissertações produzidas por estes estudantes não têm recebido apoio para divulgação e publicação. Muitas são as razões para este anonimato, uma das quais é a forte concorrência das produções não indígenas sobre a temática indígena, imperando no imaginário brasileiro a visão de que são os estudiosos brancos que possuem os conhecimentos e as verdades sobre os povos indígenas.

É com o propósito de dar um primeiro passo para mudar este cenário, que o Cinep lança a coletânea Olhares Indígenas Contemporâneos que constitui o primeiro volume da Série Saberes Indígenas, na qual pretende oferecer aos estudantes, pesquisadores e profissionais indígenas um canal de divulgação dos resultados de seus estudos e pesquisas, além de propiciar uma oportunidade aos estudiosos e à opinião pública brasileira de conhecer um pouco mais do mundo e da realidade indígena a partir do olhar e do pensamento dos indígenas.

O Cinep

Fundado em 2005, o Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (Cinep) é uma associação civil, sem fins lucrativos, com sede em Brasília – DF. A entidade foi criada para promover, apoiar e executar atividades de formação e qualificação direcionadas a profissionais, lideranças e universitários indígenas das diferentes regiões do país com o objetivo de qualificar e orientar a formação política e acadêmica para a luta dos povos indígenas do Brasil. Também faz parte do Cinep o Observatório de Direitos Indígenas (Odin), que possui suas atividades coordenadas por um advogado indígena.

Serviço:

Cada exemplar do livro Olhares Indígenas Contemporâneos custa R$30,00 à venda na sede do Cinep, em Brasília: SRTVS – Centro Empresarial Assis Chateaubriand – Quadra 701 – Conjunto 01 – Bloco 01 – nº38 – Sobreloja – Salas 25/26.

Pedidos podem ser feitos pelo email jo@cinep.org.br ou pelo telefone (61) 3225.4349, tratar com Jô Oliveira.






Publicado na rede indios on line por: Irembé Potiguara.

http://www.indiosonline.org.br/novo/cinep-lanca-livro-%E2%80%9Colhares-indigenas-contemporaneos%E2%80%9D/

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

UM OLHAR DIFERENTE,MAS UM OLHAR DE ÍNDIO !


Foto: Alex makuxi
Pajé Wapichana, durante a defumação do Seminário de Educação Superior Indígena na Universidade Federal de Roraima- UFRR

Na “história” do Brasil, temos quinhentos e poucos anos de “descobrimento”. Na História do Povo Indígena, temos a mesma quantidade de anos,mas diferente da história do “branco” esses anos nos vem acompanhado de muita dor e sofrimento.

Sou macuxi, e hoje moro na cidade, por isso o título um olhar diferente, que quer dizer um olhar de fora da aldeia, mas um olhar de índio, um olhar de quem um dia sonha ver seu povo tranqüilo e na paz.

Como já citei em uma matéria anterior (Eu invasor ? ou minha terra por direito), que até hoje nós povos indígenas enfrentamos a luta pela retomada de nossas Terras, onde muitas das vezes somos taxados de bárbaros, violentos, invasores de terra etc. Agora eu quero falar de uma outra luta que hoje a maioria dos povos indígenas vem enfrentando: aluta pela permanência da tradição cultural.

Há três anos eu vim para cidade para fazer minha graduação, e, escolhi entra no curso de história da Universidade federal de Roraima, pelo fato de ver o povo indígena ausente, nos livros que eram trabalhados nas salas de aulas, inclusive nas salas de aulas das comunidades indígenas. De acordo com essa história o branco sempre vivia em paz com os povos indígenas. E isso não e verdade (não generalizando, pois tem pessoas brancas que tem um coração limpo de maldades e são amigos) Desde que nossas terras foram invadidas, nós fomos proibidos de falar nossas próprias línguas, de dançar nossa parichara, de tomar o nosso caxiri, e de muitas outras coisas que é de nossa cultura.

Tudo o que aconteceu em nossas vidas e em nossas aldeias de mal é culpa do invasor. Hoje as comunidades não falam mais o Macuxi, o Taurepang, o Ingaricó, o Patamona, por que foram “PROIBIDOS” essa é a palavra. Conta um ancião macuxi que estudou em uma missão católica “ Nós éramos proibidos de falar nossa língua, tínhamos que falar a língua do branco. Se falássemos a nossa língua deixavam a gente de castigo. Nós éramos maltratados, eles colocavam a gente pra carregar madeira forçados, batiam nas crianças menores e muitas das vezes deixavam a gente sem comida”.

Nas comunidades o Fazendeiro, com uso de suas forças bélicas mandava em qualquer um e se desobedece “metiam a bala num índio”. Nas comunidades antes de o Fazendeiro chegar só se dançava o Tukui, o Parichara e o Areruia . Mas o “branco” não gostava das nossas danças e eles então mandavam parar e levavam um sanfoneiro e dizia que as índias tinham que dançar até quando eles quisessem se não “ia bala”. Com isso as comunidades forma deixando de dançar o que era tradicional e por força dançar outro tipo de dança.

Muitos parentes morreram pelo branco, eles tinham armas que matava mais que nossas flechas, aliás, nossas flechas eram pra matar as caças e não gente como eles faziam.

Outro que eu também queria falar era sobre o nosso gostoso caxiri. Bebida feita de mandioca, ou de outras raízes e frutas. Era bebida em dia de festa ou quando as comunidades se uniam para fazer um determinado trabalho(isso antes do invasor chegar). Mais uma vez tenho a tristeza de novo inserir o nome do “FAZENDEIRO”, eles forçavam os índios a trabalhar em suas fazendas, cuidando de seus animais ou fazendo outro serviço, e isso impedias de os parentes se organizassem para fazer seus trabalhos comunitários. Isso ia enfraquecendo o laço familiar na comunidade. O branco trouxe para suas fazendas a Cachaça , e dava para os índios que trabalhavam lá fazendo eles ficarem doentes. Doentes e viciados naquilo. Ai o branco também levava para as comunidades quando ele forçava nosso povo a fazer festa. Com o tempo muito de nossos parentes ficaram ligados àquele produto diabólico, a comunidade começou a se desestruturar. As mulheres não faziam mais o caxiri, o aluá, o mocororó, que eram do nosso povo mesmo. Fazer pra que? Os homens de nossas comunidades estavam bêbados da cachaça do branco. E assim por muito tempo nossos parentes ficaram dominados pelos “brancos”.

Esse tempo em que estive ausente de minha comunidade me fez ver como isso reflete até hoje em nossas comunidades. Tudo o que era nosso passou a ser visto como exótico, mesmo que isso representa ainda um valor muito alto para nós povos indígenas. A parti de 1970, quando começou o movimento indígena pela luta por Nossa Terra, também as lideranças tomaram várias atitudes contra o modo de vida do Branco. Começou a surgir a nossa primeira organização: o Conselho Indígena do Território de Roraima – CINTER. A parti desse momento foi tomadas várias outras atitudes como, por exemplo, o “ Vai o Racha” que foi um movimento contra a entrada de bebidas alcoólicas nas Comunidades, a “Barreira do Machado” que foi um outro movimento contra a entrada de materiais para garimpo na Comunidade do Machado, na Raposa Serra do Sol e tivemos muitas outras atitudes. Vale citar também que começava a ter as primeiras Assembléias de Tuxauas. Depois surgiu a organização dos Professores – OPIRR, na luta pela nossa educação como exemplo, “ que escola temos, que escola queremos” que foi para colocar nossos próprios professores nas escolas indígenas. Muitos outros movimentos sugiram com nossa organização.

O que se percebe hoje que assim como lutamos pela retomada de nossa Terra, também estamos lutando para manter nossas danças, nossas bebidas, nosso modo de vida, nossa língua. Que foi tudo tomado e acabado pelo “ Branco”. E fazer isso hoje é bem diferente do que fazer a retomada de nossa terra. Por que embora nossa Terra tivesse em mão do fazendeiro, mas estava aqui, não tinha como ele levar; Mas nossa língua? Essa sim foi embora com as pessoas mais velhas que sabiam falar, hoje há poucas pessoas que sabem falar por isso temos uma crise em colocar nossas línguas em nossas escolas,pela falta de professor. A nossa dança só faz coma ajuda de pessoas bem idosas, as nossas bebidas quase não é mais feitas.

Agora a nossa luta ainda é maior que antes: Resgatar nossa Língua, Nossas danças, Nosso modo de vida, nossas bebidas, enfim tudo o que era nosso.


Obs.: Essa matéria é feita baseada nas comunidades da Região do Surumu, na Raposa Serra do Sol. Mas que pode ser uma reflexão estendidas a outras Regiões da Raposa Serra do Sol e de outras Terras Indígenas de Roraima e do Brasil.


Todos nós Somos um Só: O POVO INDÍGENA


Alex Makuxi.
alex.makuxi@gmail.com

Um olhar indígena sobre os Povos Indígenas de Roraima


Fotos: Alex makuxi
Macuxi observando o seu grupo se organizando para começar a dança do parichara(Seminário de Educação Superior Indígena - UFRR)

Fotos: Alex Makuxi
Macuxis da Região Surumu, durante uma apresentação no Seminário de Educação Superior Indígena na Universidade Federal de Roraima-UFRR